quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Se Me Aceitam Como Sou, Bem-Vindos

Ando com o vento
Esboço para cada traço
Uma arrancada, um começo

Deixem eu sonhar .... sonhando vôo
Canto o meu canto livre
Isto muda os rumos, altera os caminhos

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Coisas de Miúdo

i




"No meio do rio, eu via a pedra. A única naquela extensão azul de água, o pico negro erguido em inesperada fragilidade na solidão. Eu não tinha instrumentos para caminhar até ela, a pedra, tomá-la nos braços, por um instante debruçar minha ternura sobre seu isolamento num absurdo desejo de que em sua insensibilidade de coisa ela se fizesse sensível e, assim suavizada, contivesse o desespero amparando-se em mim. Por que ela se perdia assim e assim se assumia e se cumpria em pedra, dona de si mesma, dispensando qualquer afeto, qualquer comunicação? Ela se bastava. Parecia já ter ido além da própria estrutura num lento inventariar do mundo ao redor, como se seu pico tivesse olhos e esses olhos projetassem indagações em torno, avançando nas descobertas, constatações se fazendo certeza. E como se seu isolamento fosse deliberado, como se já não acreditasse em mais nada e tivesse escolhido o amparo apenas das águas, a precária proteção do azul como se tivesse escolhido o vento, a erosão, os vermes, os musgos que a roíam devagar. Assim, da mesma forma como outros escolhem o apoio das pessoas ou a nudez do campo, ela escolhera o desafio da entrega. O despojamento de ser, insolucionada e completa em suas fronteiras: pedra porque pedra fora era e seria num sempre que a sustentava, frágil e absoluta.

- Veja, os meus cabelos estão molhados, caminhei horas pela chuva querendo e não querendo procurar você.

Frágil e absoluta em sua camação de mineral, as raízes, se as tivesse, encravadas no fundo do rio. A sua base por onde escorregam peixes, cobras, onde a lama se acumulava lenta tentando cobri-la por completo. Ondas frágeis de rio e, atrás, a ilha espalhada em verde contra o céu quase negro do entardecer. O sol além do rio, e o céu quase todo desfeito em cores que em breve afundariam no escuro. As cores morreriam, o claro se faria treva e a pedra mergulharia em sombras, impressentida -quem veria jamais uma pedra emergindo do negro que cobriria o rio? E re… nasceria, depois. Em cada amanhecer, renovada e sempre a mesma, endurecida em sua natureza. A pedra. Por que me doía e pesava por dentro, como se eu jamais conseguisse atingi-la? Ah meus gestos incompletos, meu olhos que não ultrapassavam o que viam -e ela me encarava, alheia ao meu espanto, inatingível quem sabe para sempre. E não seria apenas uma forma, uma silhueta de coisa nascendo da água, projetada contra o espaço, cercada de vazio, um pedra? Que espécie de dureza havia nela, negando a penetração? A compreensão mesma de sua incompreensão -por que se fechava tanto, e tanto se esquivava, e sem se esquivar nem se fechar, feita em si -apenas um pedra?

- Podia esperar de qualquer um essa fuga, esse fechamento. Mas não em você, se sempre foram de ternura nossos encontros e mesmo nossos desencontros não pesavam, e se lúcidos nos reconhecíamos precários, carentes, incompletos. Meras tentativas, nós. Mas doces. Por que então assim tão de repente e duro, por quê?

Uma pedra. Igual a si mesma, como só o são as naturezas inertes. As pessoas escorregam e, se num momento foram, no seguinte já não mais o são; a possibilidade de ser se reduz, contrai, escapa, ou num repente aumenta para explodir inesperada. As coisas se afirmam nelas mesmas em cada segundo de cada minuto. E em cada segundo futuro, serão ainda elas mesmas, sem se acrescentarem ou diminuírem. Para sempre, uma pedra será uma pedra. E por que então, enfim, esta palidez minha? Por que a encarava e pensava, e a constatava em sua permanência despida de mistérios e, no entanto, hesitava? Deveria compreendê-la no passar de olhos e ir adiante sem esperar. Contudo, esperava. De uma pedra -o quê? Se me machucava por dentro e quase tombava, meio aniquilado, impossível prosseguir. Derramar de ternura do vazio de minhas mãos, meus olhos quase verdes de tanto amor recusado, emoções informuladas pelo silêncio de noturna precisão -tudo convergindo para a pedra. Uma fatalidade, o inumano atingir o humano assim, de brusco? A nudez de meus pés devassava o frio. O vidro do rio, a lâmina do vento, a morte do sol. E a pedra. Inatingível.

- Compreenda, eu só preciso falar com você. Não importam as palavras, os gestos, não importa mesmo se você continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e não me ouve nem vê ou sente. Eu só quero falar com você, escute.

Inatingível. Escorregava em torno dela, percorrendo consciente uma trajetória de impossível. Em torno da pedra um círculo de repulsão que me jogava longe no momento da aproximação de seu centro. Cansaço pesando em mim, baixei a cabeça. As minhas mãos perdidas sobre a areia suja da beira do rio, as minhas mãos fremiam de fadiga. Círculos dourados percorriam o espaço, penetravam concêntricos em minhas órbitas, os círculos nascidos em torno da pedra. Pelos descaminhos, meu rumo se perdia, eu tornava a buscar, recomeçava- e novamente errava, e novamente insistia, Túrgido de ternura, me encarei. E baixei a cabeça com vergonha. A pedra prescindia de mim. Eu, que me projetava num tempo desconhecido, prescindir de tudo e, impotente, me projetava na pedra, lúcido de que não seria jamais o que ela estava sendo. Eu que não conseguia alcançar o que ela alcançara e para sempre me perderei entre as pessoas, vagando sem encontrar, sem saber sequer o que busco, o que buscarei. A pedra me agredindo com seu ser completo.

- É esse gelo por dentro que eu não consigo entender. Você se doou tanto quando eu não pedia, e no momento em que pela primeira vez pedi, você negou, você fugiu. É esse seu bloqueio de aço encouraçando o silêncio, eu não consigo entender.

Completo. Seria possível o absoluto em algo ou alguém às vésperas da destruição? Eu não sabia nem sei, ainda. Escurecia cada vez mais, a silhueta da pedra já se dissolvera talvez na noite, mas a sua imagem permanecia em minhas retinas. E no escuro, ela deixaria de ser? No escuro as coisas esquecem de si mesmas para se tornarem apenas coisas, desligadas de qualquer suspeita que se possa ter sobre elas? A imobilidade do rio com suas ondas fracas, feito um reafirmar de inércia. E eu. Que era eu naquele momento exato, jogado na areia, cheio de movimentos subterrâneos? Que era eu, com o incompleto de minhas tentativas que não se cumpriam, e permaneciam vagando num ritmo de espanto? O rio era o rio, o céu era o céu, a areia era a areia, mas a pedra recusara meu pensamento e se fizera unicamente em pedra. E eu que escorregava, me perdendo em corredores de luz filtrada, pelas varandas entrecobertas de samambaias, por solares arquitetados sobre pântanos, pelos pântanos mesmo de água pútrida e serpentes entrelaçadas em tronco de árvores viscosas - eu que me reconhecia ao longe e não ia além do gesto para me conhecer. Mas se o rio tinha peixes e lama e musgo no fundo, e tinha mistérios; e se o céu estava repleto de mundos formando o cosmos e o desconhecido infinito das galáxias, e tinha mistérios; se a areia onde haviam restado detritos e sulcos, onde vicejava uma grama rala, tinha também mistérios. Somente a pedra, até o fundo de si pedra, das nascentes ao topo, nada contendo além de seu ser.

- Seria isso, então? Você só consegue dar quando não é solicitado, e quando pedem algo você foge em desespero. Como se tivesse medo de ficar mais pobre, medo de que se alcance seu centro e nesse centro exista alguma coisa que você não quer mostrar nem dar ou dividir. Contido, dissimulado, você esconde essa coisa, será assim?

Ser. Já nada mais restava. Apenas a noite e, dentro dela, o meu silêncio de incompreensão. Meus passos afundavam na areia deixando uma esteira de poças que conteriam as estrelas, não fosse o imenso escuro de tudo. Cada vez mais lento eu caminhava. Para longe do rio. Para longe da pedra. Para longe do medo. Para longe de mim."


Caio F.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Passou ... Passou


Hoje a tristeza não mora comigo
Mas me visita, aí...... de vez em quando
Hoje não vivo mais como castigo
E já me vejo até cantarolando

E já me sinto um tanto mais robusta
Recuperada de antigas idéias

Já não carrego aquele ar velho
De portas fechadas e muros

Agora o tempo vai, não volta, o tempo muda
E esse tempo já não me atormenta
Passou ... Passou
E isso me acalenta

Sou mais alegre hoje, e já persigo
Umas vitórias, que eu vou conquistando
Hoje a tristeza não mora comigo
Só me visita, aí ..... de vez em quando

domingo, 5 de setembro de 2010

De Carona



Enquanto ela corria
Olhava para o alto
Procurando a lua
E o mundo feio passava

Quando ela pensava em ir em frente
Pegava uns pedacinhos de afeto
Do secreto bem querer

Terra seca
Com sorrisos e sem pirueta

Desenhou sol e nuvens
Olhos castanhos em formato de montanhas

Então, sentiu que havia vento demais e muitos suspiros

Encheu a mala do sonho
E foi embora 

domingo, 22 de agosto de 2010

Canta pra eu dormir ?????

Perdi minha nuvem
Inundada de brilho

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Poeira De Nuvem


Queria agarrar aquela nuvem
Ela sempre vem cheia
E me deixa solta, inquieta, leve
Queria agarrar aquela nuvem
Pro vento não soprar
Mas ela sempre vem e me enche
E vai embora
Pedi a Ele no tempo de’u esvaziar  
Que Ele guardasse um amor imenso
Que nem existisse no céu
Que eu tenho um coração guloso

domingo, 8 de agosto de 2010

No Seu Esconderijo



Manhã polida de sol
Levantou mecha por mecha do seu cabelo
Vestido amarrotado de cantigas de amor, sonhos e contos
É dia de verão
São essas manhãs que se sentia grande
Ia inventando, ia cantando,
Ia alargando as asas


Levo comigo, o brilho daqueles que se manejam com destreza,
Que se consomem,
Que só depois analisa o prejuízo, risco, ganho
Talvez isto fosse seu maior defeito,
Ou sua maior qualidade
Ou que a salva ou estrangula:
Mistério

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Respirar lento


Ahhh ........eu sou um bicho solto

Eu gosto de seguir árvores

Traduzir o vento

Nadar em tudo que é divertido

E não é que eu estou dançando direitinho?????


É que tem um punhado de mim aqui dentro

Assim meio com cheiro de flor
Sei lá como está o tempo lá fora

Mas vou ficar aqui dentro

Tem sol!!!
Eu posso usar óculos escuros

E tem pipas brincando no céu azuuuuul
Quem sabe não há um menino lunar?????

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Manhã Suave

A luz da lua nos olhos dela
Seu cabelo azulado brilha no ar frio de julho

Andorinha
Eu tenho incrível poder de observação
É isto que eu sei
Leve-me como uma criança grande
Você gosta de brisa quente ou ar brando???
Deixa esta brasa me proteger
Deixe entrar um pouco de mimo
Estou cansada de observar a chuva
E correr para alcançar o sol
Eu gosto de estar assim
E ouvir canção em voz suave

E de repente, é dia de novo
Um pouco de fôlego a cada dia

terça-feira, 20 de julho de 2010

Milênios, Milênios, No ar




Surgiu de manhã
Pronta a seguir
Nas mãos do sol 

Ela gostava de registrar momentos de luz
O encontro entre folha-vento

Disse tanto ao seu coração
Que olharia nos olhos da própria vida
Sem pressa
Com ternura e inteireza
Sentir cada textura de experiência
Com gratidão
Queria a felicidade e pronto
Tratava com cuidado a saudade
De ventos vividos sem direção

Que seja doce
Repito
Todas as manhãs

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Embrulhada de sopro




Abriu a janela

Desejando o céu

O vento fresco

Abraçada com seus encantos

Era suave o que vinha dela



Ela não tinha medo do inverno

Compreendeu que a escuridão

É lá fora

Que aqui dentro é claro, azul

Cheio de flores

E de borboletas cintilantes



E que havia ternura

Que ela poderia brincar de ciranda

E se alimentar de pequenos feitos


Ela era livre

E sempre andava descalça

domingo, 27 de junho de 2010

Coisas miúdas, Detalhes, Pequenos gestos


São os olhos tímidos
É a barba mal feita
É se encantar pela pintinha da bochecha esquerda
Ou reparar o tênis colorido
É dividir o fone de ouvido,
É a ansiedade no peito
É ganhar beijos perdidos
É você acordar numa manhã azul, ainda sentindo o perfume
No cantinho,  um sorriso terno
Dois suspiros leves

Então você deixa o sol entrar
Escolhe o vestido mais bonito
E sai de mãos dadas com as coisas miúdas


quarta-feira, 23 de junho de 2010

Feita de Instantes

Grande noite risonha
Inquietudes e sonhos urgentes
Garota vestida de cinza, sentada
No banco a espera

Deu um sopro bem forte
Em toda melancolia
Tinha decidido deste pequena
Que não desperdiçaria seus dias
Em tristezas e lamentações
Que inventaria canções
Colocaria cores entre seus dedos
E pintaria seu chão
De sonhos e estrelas

domingo, 20 de junho de 2010

        
                                                          Perfumes doces,
                                              suaves sabores,
          emoções serenas,                                        sorrisos incontáveis,
                           historias inesquecíveis,
                                                    momentos intensos

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Um sopro veio e me disse




Pensante, deslumbrada, ali parada
Olhar vago no céu sensível de estrelas
Lua serena
Vento escorregando entre folhas
Como se quisesse dizer
Que uma doce canção levaria
As tempestades de dentro
Que um amanhã
Mágico claro delicado
Iluminaria seu sorriso de menina

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Inverno aqui dentro

Sonhos escondidos entre nuvens de algodão
Enfeitados em breves instantes
Esperaria o tempo que fosse
Mas andaria lado a lado com a realidade

É que tem dias que você acorda
Com o coração desorientado de expectativa
Cansado de dias brandos, transparentes
Poço seco

Então você cria um esboço de um presente colorido, sereno
E vai convivendo

Mas é que tem dias que você acorda
Com o coração desorientado de expectativa
Desejando desesperadamente sentimentos
Irresistível saudade de sentir

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em sua morada


De tempos em tempos, fugia para sua morada
Apertava os olhos e ia
Poderia estar onde ela amava,
O tempo que ela quisesse
Na cidade de seus sonhos
De musica, de ruídos
De vento frio, de cheiro cinza
Passeava pela avenida larga
E abraçava os prédios antigos
Num dia acordou com o céu de poucas nuvens
Deixou o sol quentinho entrar
Sentada no balanço descansando da corrida
E ficaria ali, observando crianças, o verde e suas flores
Respiraria bem fundo, ali no seu paraíso


Ou poderia abrir a porta do seu apartamento
Ver detalhes
A bituca de cigarro na beirada da janela
Copo de café em cima da TV
rachadura no parede do banheiro
Abriu o quarto
Jogou-se na cama da amiga
Fofocando por horas e horas
Debaixo
com certeza seu gato daria um beijo de fucinho molhado

Ou poderia dançar
Se acabar pela madrugada
Embriagada e feliz


Abriu os olhos, suspirou:

-Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi


A insustentável leveza do ser”: “O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado”.

domingo, 23 de maio de 2010

Cirandas, Sonhos

Dia branco como espuma de sabão
Ela sentia imensamente a falta de muitos
Em especial, daquelas mãos em que, muitas vezes a acalmava
E o colo que repousava suas lágrimas
Então ficou perdida, suspensa no tempo
Sabia que viveria somente de momentos
Mas queria voltar
Queria viver tudo de novo
No mesmo lugar, no mesmo lar, com as mesmas pessoas
Tempos de cirandas,  
De dias coloridos, de sonhos, de lutas
A ti amiga, o meu coração protesta
Grita, chora e ri
Extravagância saudade
Ora machuca, ora sorri


(Para minha grande amiga Priscilla D'El Rei)

sábado, 1 de maio de 2010

Melodia N'Alma

Vontade de ficar quietinha

Escondo debaixo da coberta

Abraço o meu carneirinho de pelúcia





Respirando fundo

Espero o inverno chegar

Não quero sentir frio

Nem vazio


Semeio esperança dentro de mim



Ao bravo coração

Cuido com ternura

Não desisto de ninar, mimar, amar

Protejo

Encho-lhe os bolsos de sonhos

De calma-promessas

Peço que se vista com a pele de sorrisos

Que é melhor assim

Dizer que está vivo

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Na Cor Do Seu Vestido



O vento veio e assobiou no meu ouvido
Ventinho frio que arranca sorriso
Logo cedinho
Com o dia na cor do meu vestido


                                                     Lambida no sorvete
                                              Cheiro de pipoca manteiga
                                                

                                            E                         A
                                     L         V            Z
                                                       E

Acordei desejando sol
Desenhando enormes arco-iris!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Em Um Lugar Além Das Montanhas

 
Árvore verde de flores amarelas,
Florescendo por mim mesma.
Bem lá no alto!
Nas cores das estrelas tão lindas no céu,
É onde você me achará.
Em um lugar além das montanhas.
Sobe o Risco.
Leve e nua.
Estarei sorrindo em liberdade,
No equilibrio e intensidade!
Onde eu moro é muito pequenino.
Tem cheiro macio de flores.
É transparente e puro.





domingo, 25 de abril de 2010

Do Dolorido Fez-se Vento

Sei lá no que deu!
Do dolorido fez-se vento
Vento que brinca em minha nuca
Escorre entre os fios negresco
E se esconde debaixo da cama

A cor do dia transparente
Impregnado de azul
Feito meus sonhos

Um rouxinol
De canto melodioso, suave, vibrante

Minhas asas cresceram ... já posso voar!



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Cheiro De Criança

E ela se lembrava de tudo.

Do primeiro, do terceiro, do segundo dia.

Era dele que ela precisava naquele momento.

Peito quentinho, coração agradecido.

Tudo acontecia tão deliciosamente.

Tinha cor, movimento, cheiro.

Cheiro de criança sapeca.

Ele achava graça do jeito dela contar detalhes.

E ela achava graça do jeito doce dele rir.

Ela gostava.

Ela sorria.

Era um novo dia.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia Urgente


Manhã linda, clara e azul
Ela fez do seu dia algo urgente.
Enganava bem os dias cinzentos
Mas se entregou a melancolia, ao abandono.

Hoje o sol não poderia ajudar
Nem mesmo as palavras de mimos

Nada convencia o coração 
                                        Dolorido-Agudo-Espera

Necessidades que carregava o tempo todo,
Mas que disfarçava entre seus sonhos

Levou consigo a intensa vontade de chorar
A tarde inteira

Precisava de cuidados
Precisava sentir
Precisava dividir
Tinha o mundo inteiro dentro dela

                                              Suas cores

Decidiu isolar-se, estava cansada
Sem luz, Sem força, Sem graça
                                             Tristonha.

domingo, 18 de abril de 2010


Da melodia que não esqueci
Com as cores que pintei
Nas paredes que demoli

E se tudo
desfazer

As sementes que plantei
Os muros que construí
Nas estradas que andei
Em lugares que vivi

E se tudo fluir

As flores que soprei
No vento que senti
De palavras que pensei
E jamais disse



sexta-feira, 16 de abril de 2010


Embrulhada em algo infantil, que a iludia.
Olhava o mundo com olhos fascinados.
Olhos levemente pequeninos, mas intensos, 
Que via aparentemente, tudo de uma forma interessante, Deslumbrante, 
Como  quem deseja engolir o mundo, mesmo de uma maneira Segura e ingênua.
Levava com ela , o brilho daqueles que se manejam com destreza, Que se consomem,   
Que só depois analisa o prejuízo, risco, ganho.
Talvez isto seria seu maior defeito, ou sua maior qualidade.
Ou que a salva ou estrangula:
Mistério.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Manhã mais linda.....................................mais serena.................



Ouve-se de longe um desejo que cresce,


Minha expectativa, sempre ansiosa, de transformações


Dá lugar a certeza tranquila de que,


Neste momento, tudo está onde pode estar.


Em vez de sofrer pelas coisas que ainda não consigo,


Me sinto grata pelas mudanças que já realizei.


E relaxo.


Disse tanto ao meu coração


Que olharia nos olhos da própria vida


Sem pressa, com ternura e inteireza


Sentir cada textura de experiência


O que contava era o traço mágico que havia imprimido da vida.


Que isso tem mais a ver com o meu olhar,


Com a natureza das sementes que rego

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ela vinha

Com seu céu
De nuvens chantilly
Banhada por cafuné
De raios de sol
Cortejada pelos passarinhos

Era um bom dia!

O vento brincava com seus cabelos finos
E corria pela manga de

Seu casaco quentinho


Ela andava

De sapatinho vermelho, pra pintar todo seu caminho

Alimentava seus sonhos

De prazeres simples

Era isso que a fazia feliz

A cada dia.

terça-feira, 30 de março de 2010

Fui ver a lua cheia e as estrelas
A magia de uma nova vida, de novos desafios
Novas cores, novas paisagens
Monte de sonhos, ilusões, desejos na mente
Apaixono por tudo a minha volta
Abracei o carneirinho de pelúcia
E adormeci no meu caminho

segunda-feira, 29 de março de 2010


Imovél no tempo
Poderia estar
Ficar por aqui
Não mudaria nada
Mas isso eu não quero
Eu quero ir adiante
Quero correr
Quero algo para alcançar
Virão momentos bons 
Passarão momentos ruins
Mas o que importa é nunca desistir
E não desanimar
Pois o importante é sorrir e acreditar
O importante é sonhar e ser feliz....
Quero poder dizer um dia
É isto que eu sempre quis

sexta-feira, 26 de março de 2010


Sentimentos soltos

Sem caminhos, sem sentidos

Sem bagagem, com viagem

Sem medo, nem receio

Sem corpo, leve

Novos olhares

Formando multidões em mim

quinta-feira, 25 de março de 2010

Manhã desperta o coração de vento

Um olhar novo na montanha

Verde-ar-puro

Voz sonolenta de quem quer ser mimada

Iluminada pela Ciranda

Dolorosa de ternura

De noites risos cintilantes

Desvairados curtos instantes

Rastro de luz tecendo o chão

Atravessando a verdade pura

Tão esquecida

Bailaria nas folhas de ritmo lento

Inevitavelmente

Voaria por cima das arvores

terça-feira, 23 de março de 2010


Só de olhar ... Descansava
Ali parada
Interrompida pela saudade ao meio
Olhos brilhantes
Naquela rua apertadinha
O nome, que continuou
Cantando cantigas antigas
Nomeou a segunda
Alta noite no bar
Turbulenta noite utopia
Entonação quieta, viva
Cantoria longa mágica
Ouvida vida

segunda-feira, 22 de março de 2010




Outono

Antes do inverno, inda hoje, brindando a esperança ardendo nas alamedas,
Nos despejar das multidões dos sonhos.
Maduro.
Agora. Perdendo vigor, mas Outono sempre.
No meio do nevoeiro, surgirá um dia, rompendo a madrugada
Uma embarcação que dá entrada
A alegria da simplicidade
Rasgarão as águas do mar empurradas por suas velas, grávidas de sopro.
Ouvirei de novo canções de ninar
Outono.
Até quando será
A estação dos sonhos?
Quando decidirá ser realidade?



sexta-feira, 19 de março de 2010


Março azul, manhã polida de sol
Fugiria do tempo
A garota do pescoço esbranquiçado
Dos pés descalços
Do vestido estampado
Amarrotado de cantigas de amor, sonhos, contos
Abriu a janela com um bocejo delicado
Esperando sábado
De doce de morango com pão
Depois voltaria sem relógio de pulso
Sem os dezessete vinte minutos
Descansando nas calçadas-mundo-acima
Com coragem
Com vida embrulhada de tudo
Sem medo das coisas de dentro

quinta-feira, 18 de março de 2010

Vieram umas vontades bobas..........
De sentir cheiro de criança, lambuzar o queixo de brigadeiro, voar na cadeira de balanço, andar descalça na grama numa tarde grande, seguir o mar,dançar macarena, beijo de borboleta, brincar com geleinha, estourar bolinhas de sabão, assoprar um cata-vento, abraço na pelúcia sem pressa, fantasiar de bailarina, escolher um vestidinho de princesa, correr macio, melar os dedos de algodão doce cor-de-rosa, pegar uma nuvem na palma da mão, sentir cheiro de estrela, gemada da vó, rostinho colado no namorado, esconder debaixo da cama, um beijo roubado....
Corro pro meu quarto, fecho a porta, fecho os olhos e faço tudo isso.

quarta-feira, 17 de março de 2010


Nos dias verdes de hortelã
Sai de casa  apressada
Sem nescessidades das palavras grandes
Olhos nus diante
Dos muros e telhados da cidade
Sem relógio, já não tinha tempo.
Vestia-se de gaivota esperando o vento
Os sonhos de asas
E quando a noite chegava
Vestia-se de novo em  abrigo
Os muros e telhados da cidade
Conhece bem as mudanças
E sabe que tem prazo de validade

terça-feira, 16 de março de 2010

Ir.
Somente ir.
Devorando estradas
No ensaio do horizonte.
Como se tudo fosse importante.
Ou fosse real.

segunda-feira, 15 de março de 2010



Gostava da inquietude deste lugar esquecido
Onde o silêncio entoava ruidos
De ventos vividos sem direção
Estrangeira de mim, errante, serena

sexta-feira, 12 de março de 2010



Acordou bem cedo
Era dia de verão
Levantou mecha por mecha do seu cabelo desobediente
Levava, um a um, os grampos na boca
E sentia que o mundo inteiro estava nela
Derreteu nos mimos de sua mãe,
Canção de amor
Lá estava sua luz, sua vida
Respirou bem fundo e invadiu-se de confiança
Era nessas manhãs que se sentia grande
Ia crescendo, ia cantando
Ia alargando as asas
Era dia de verão
E sentia que o mundo estava nela

quinta-feira, 11 de março de 2010


Abraça-me!

O mundo é mesmo cor-de-rosa. É amarelo, azul e leve.



quarta-feira, 10 de março de 2010


Ultimamente eu me encontro lá
No meu esconderijo
Frágil, Doce, Divino
Com a palma da mão cheia de estrelas
Ouvindo violões
Como alguém que sente saudades
Leve como uma nuvem
Num céu claro, brilhante
Eu vou manter isso comigo
E se você acredita em sonhos
Conte-me os mais belos
Ou a ultima canção
Eu viajarei por ali
Saltarei viva no mais puro ar
Como gaivota
Ver as folhas da Cerejeira dançando no vento
Invente um jeito de me acariciar
De tocar, mas com cuidado
Que eu vou me esconder debaixo da coberta
No meu esconderijo
Frágil, Doce, Divino


segunda-feira, 8 de março de 2010

O tempo trouxe a liberdade
O mundo respirava
O vento aumentava a saudade
Ela veio, ela vem e se perde em março
Buscando
Pensando
Esperando
Uma asa de cada cor
Fantasiando o meio dia

sexta-feira, 5 de março de 2010


1,68 metros de sonhos, amor, dança, sorriso, mentira, desatenção, palhaçada, fe, desleixo, fogo, vida, solidão, saudade, luta, verdades, medo, ansiedade, alcool, silêncio, musica, arte, alma,  gratidão.

quinta-feira, 4 de março de 2010



Está um cheiro de flor aqui dentro

Trato com cuidado a saudade

Penteio os cabelos

Nada em mim fica por lavar

Tenho perguntas sobre esse novo caminho com sabor de chocolate

Daquelas que nos fazem querer mais e mais

Que seja doce

Repito

Todas as manhãs

Ao abrir a janela

Que entre o sol ou o cinza dos dias

Que seja assim

Todos os dias bem vindos

terça-feira, 2 de março de 2010



Ela acordou desejando um novo vento,
Queria a felicidade e pronto.
Pensou nos seus acontecimentos passados
No tempo de criança, sem regalias, mas não infeliz,
Intensa essa e a palavra certa.
Pois as partes difíceis ela apagou da memória
Porque tinha tanta coisa gostosa para se lembrar
Quando brincava despreocupada
Com ou sem brinquedos
Carrinho de rolimã, rouba bandeira, esconde-esconde
Dos poucos amigos
Que se tornaram muitos
Dos bons tempos da fazenda, clubes e acampamentos.
Do tempo da escola
Dos professores, quando andava de skate e pulava o muro.
E quando a menina resolveu crescer ... trabalhar ... ter suas próprias coisinhas
Lembrou do tempo que dançar era a coisa que mais fazia,
No quarto, na sala, na garagem e na discoteca.
Mentia para o pai dizendo que ia dormir na casa da amiga.
Do tempo das risadas, das trapalhadas de quatro amigas inseparáveis.
Nas rodas de samba-rock, axé, hip hop e MPB, escondidas
Dos porres de vinhos, catuaba e cachaça.
Daqueles dias em que gostou do garoto feio e mandava cartas ...
Andava de mãos dadas e beijava devagar
Dos dias em que conheceu o amor
Do amado que escrevia cartas, dava flores, dos passeios mais simples
Do ultimo adeus, do abraço de sei la quantos minutos, coração batendo rápido,
Respiração lenta e aquela mão no cabelo
De grandes perdas, de imensas conquistas
Do tempo que não sei explicar
Pensava o quanto da vida mudara
Os dias bons e ruins
Da solidão necessária, do aconchego urgente
E o quanto era protegida
Deus existe ... pensou....
Pensou que seria feliz do jeitinho dela. Hoje.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Foi de manhã, quando
Dobrava minhas roupas, guardava meus perfumes, limpava a gaveta.
Disse tanto ao meu coração naquele instante
Que olharia nos olhos da propria vida
Sem pressa, com ternura e  inteireza
Sentir cada textura de experiencia
Com gratidão
Dei de cara com as minhas primeiras horas do ano, novo
Pela janela, recebi um convite do ceu
Resolvi sair logo para não desperdiçar o azul
Antes um beijo na testa da mãe
Como era linda e cheia
Saiu como que não lhe faltava nada!