sexta-feira, 4 de junho de 2010

Em sua morada


De tempos em tempos, fugia para sua morada
Apertava os olhos e ia
Poderia estar onde ela amava,
O tempo que ela quisesse
Na cidade de seus sonhos
De musica, de ruídos
De vento frio, de cheiro cinza
Passeava pela avenida larga
E abraçava os prédios antigos
Num dia acordou com o céu de poucas nuvens
Deixou o sol quentinho entrar
Sentada no balanço descansando da corrida
E ficaria ali, observando crianças, o verde e suas flores
Respiraria bem fundo, ali no seu paraíso


Ou poderia abrir a porta do seu apartamento
Ver detalhes
A bituca de cigarro na beirada da janela
Copo de café em cima da TV
rachadura no parede do banheiro
Abriu o quarto
Jogou-se na cama da amiga
Fofocando por horas e horas
Debaixo
com certeza seu gato daria um beijo de fucinho molhado

Ou poderia dançar
Se acabar pela madrugada
Embriagada e feliz


Abriu os olhos, suspirou:

-Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi


A insustentável leveza do ser”: “O homem, porque não tem senão uma vida, não tem nenhuma possibilidade de verificar a hipótese através de experimentos, de maneira que não saberá nunca se errou ou acertou ao obedecer a um sentimento. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado”.

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